ADMINISTRANDO AS CONTAS

Há duas maneiras de conseguir o suficiente: uma é continuar a acumular mais e mais. A outra é desejar menos. G. K. Chestertorn

Não sou economista nem administradora de empresas. Se você fizer questão de ouvir um, sugiro procurar no seu site de buscas favorito.

Entretanto, sou dona de casa, trabalhei até me aposentar e sempre organizei minhas "entradas e saídas" de dinheiro. Muitas vezes, comprando mais do que devia, me endividei até os cabelos. Fui aprendendo a medir minha vontade de consumir com a grana que eu ia realmente ter no final do mês. Apanha daqui, apanha dali, meu marido hoje me chama de "pão-dura". Não é que eu não compre nada, mas procuro evitar ter que me desgastar depois, imaginando de que maneira vou saldar meus compromissos.Por isso, não me julgando tão competente como os administradores desse País, (mas ganho dos nossos ministros da "gastança" ;-) sou capaz de administrar minhas próprias finanças, o conselho que dou é simples e só um: "Não gaste além do que você pode".

Se você está endividado no momento - e nesse Brasil, o próprio endividado, quem não está? - aconselho-o a relacionar, de preferência num pequeno caderno só para isso, uma agenda, o que quiser, todas as suas dívidas. As mais urgentes, as menos urgentes. Veja o que você pode pagar. Procure seus credores, renegocie a dívida. Vá aos Procons da vida. Os cartões de crédito por exemplo cobram juros e multas indevidos. Reclame. Você será orientado, os próprios órgãos de defesa do consumidor costumam contactar as administradoras de cartão, e na maioria das vezes o resultado é compensador. Enquanto isso, PARE de comprar, isto é, só compre mesmo o necessário: comida, pagar as contas de água, luz, remédios, médicos, escola, ufa!!! Precisamos na verdade de muitas coisas. Agora, atenção: muitas vezes nos impomos necessidades! Dizemos para nós mesmos: "eu preciso disso..... eu preciso daquilo....".

E muitas vezes essa necessidade é só uma vaidade, uma coisa que nos daria imenso prazer em ter. E daí, nem pensamos duas vezes. Só pensamos a primeira: "ah, vou comprar, depois me viro para pagar, alguém me empresta, sei lá!..." Por favor, pense antes, conte até 1000! Muitas vezes a pessoa fica desempregada de repente, não consegue quem lhe empreste e entra em parafuso... então, conselho de amiga: Pare e pense - conte até 1000. Não compre no impulso do momento. Esse é o grande vilão! O momento! "Ah, não resisti"! E às vezes já ao chegar em casa nos arrependemos.... Por isso, PRUDÊNCIA! Devagar com a COMPULSÃO. Aqui fala uma ex-vítima dela. Portanto, com experiência.

Se tiver que fazer um empréstimo, procure as associações, cooperativas, quem sabe no seu próprio emprego tem uma? Talvez um parente, um amigo, que não vai lhe cobrar juros exorbitantes...Em geral elas trabalham com taxas de juros menores. Procure se informar SEMPRE. O brasileiro precisa aprender a ser mais consciente nas coisas que faz, principalmente nas suas motivações. Seja mais seletivo, seja mais esclarecido! Devagar você chega lá, não desista. No princípio a gente tem umas recaídas, mas depois consegue e é tão bom quando você sabe que no final do mês vai poder saldar todos os seus compromisos e ainda vai sobrar um troquinho! E veja bem, isso não é só para quem ganha muito não, mesmo se você ganha pouco, é só seguir o primeiro conselho acima: NÃO GASTE MAIS DO QUE GANHA! Senão, desastre certo! Boa sorte!

Por uma economia de comunhão

"Ao contrário da economia consumista, baseada na cultura do 'ter', a Economia de Comunhão é a economia da partilha. Isso pode parecer difícil, árduo, heróico. Mas não é assim, pois o homem, criado à imagem de Deus, que é Amor, encontra a sua realização justamente no amor, na partilha. Esta exigência reside no mais íntimo do seu ser, quer ele tenha fé ou não. E é nesta constatação, comprovada pela nossa experiência, que está a esperança de uma difusão universal da ECONOMIA DE COMUNHÃO. Chiara Lubich - Maio de 1991"

DIMINUA O DESPERDÍCIO

Fuja da compra do mês. Vá com mais frequência às compras, quando necessário, porque despensa lotada, em geral, acumula produto fora da validade. O hábito que se tornou corriqueiro durante o período inflacionário deve ser deixado para trás. Além de evitar o excedente, a "compra de picadinho" possibilita o consumo de alimentos mais frescos.

Faça sempre uma lista de compras pensando na quantidade de comida realmente consumida pela família. A idéia é comprar sempre o estritamente necessário.

Os vegetais (frutas, legumes e verduras) são perecíveis e devem ser consumidos com certo imediatismo. Por isso não se acanhe em comprar esses produtos por unidade, um hábito nos países europeus.


Aprenda mais sobre como lidar com dívidas no DEVEDORES ANÔNIMOS (Debtors Anonymous, site americano)

Para os pequenos: Educando seus filhos para administrarem suas contas, desde já!

COMO FORMAR UM BOM POUPADOR

Ensine seus filhos, desde cedo, a distinguir as coisas que compramos porque "queremos" daquelas que compramos porque "precisamos".

Mostre a maneira certa de conservar o dinheiro: sem rasgá-lo, amassá-lo ou molhar as notas.

Chame seus filhos a participar da elaboração da lista do supermercado, checando, por exemplo, que produtos de higiene a família vai precisar comprar.

Explique a eles que tipo de trabalho você realiza e, se possível, leve-os ao seu ambiente de trabalho.

Lidar com dinheiro é difícil paa a maioria das pessoas. Assuma suas próprias deficiências nesse sentido.

Estimule seus filhos a participar da elaboração do orçamento doméstico, incentivando-os a sugerir maneiras de reduzir as despesas.

Se o seu orçamento permitir, dê a eles uma mesada e explique que o seu objetivo é ensiná-los a administrar o seu próprio dinheiro.

Resista à tentação de presentar as crianças a todo momento. Estipule e comunique a elas as ocasiões que você considera propícias para isso.

Em hipótese alguma estabeleça a relação entre as notas que a criança recebe na escola e o ganho do dinheiro.

Não deixe de envolver os avós no processo de educação financeira da criança, explicando a eles as razões dos limites impostos e incentivando-os a colaborar.

Não suspenda a mesada como forma de castigo por malcriações ou baixo rendimento escolar. Lembre-se de que a única função da mesada é educar a criança para lidar com dinheiro.

Não altere a data do pagamento da mesada. Peça que seu filho o lembre desse compromisso a um ou dois dias do vencimento

Não tenha medo de impor restrições aos gastos da poupança do seu filho. Quando não concordar com eles, explique o motivo.

Não se torture por não dar ao seu filho todas as coisas que ele pede.

(Fonte: "Estado de Minas", Caderno de Economia, domingo 28 de março de 2004.)